Já é comum que ouçamos pessoas nos dias de hoje utilizando o conhecido ChatGPT para muitas coisas além de obter informações sobre assuntos práticos ou para aprendizagem, pesquisas, soluções para problemas, variando do uso cuidadoso até o desonesto (produzir artigos ou mesmo trabalhos inteiros usando IA). Muitos há que buscam curiosos “conselhos” na ferramenta, e isso vale uma discussão: se não, imagine o leitor/a leitora que logo de manhã acesse um ChatGPT e pergunte para a ferramenta sobre como deveria resolver esse ou aquele problema durante o dia que corre…se nos permitem, isso se assemelha a consultar um horóscopo diário, apenas muito mais refinado.

Cabe à Inteligência Artificial esse tipo de tarefa?

E, sim, esse que lhes escreve já ouviu crianças e adolescentes admitirem consultar a IA para tarefas e para os mais diversos conselhos, o que nos leva não a contestar o direito pleno de fazê-lo e nem os benefícios de uma IA, mas o grau de necessidade e de confiança que depositamos nesse tipo de ferramenta. Os arautos das Big Techs prometem para logo o dia em que as máquinas simularão (e será uma simulação…) com perfeição todas as nuances do pensamento/comportamento humano e é certo que estão muito além de nós quando falamos de velocidade de processamento, mas e quanto aos infinitos agenciamentos do ser humano enquanto tal? Poderão simular a complexidade emocional, as inteligências, as contingências que incidem de maneiras diferentes em cada pessoa, conforme ela é o que é no momento?

E claro fique que dizemos do momento presente, limitando-nos de um futuro próximo, e de salas de aula no agora; imagine-se o poder de uma IA em sala de aula, com larga permissão de fornecer dados, emitir pareceres, abstrações, textos, imagens, discutir sensações, possibilidades.

Um oráculo? Pasmem!

Mas, não se engane o leitor/a leitora: não se trata da repetida história de máquinas incrivelmente inteligentes dominando o mundo, simplesmente porque talvez nem precisem evoluir para esse patamar; o risco verdadeiro, nos parece, é muito mais assustador: nós, alegremente, daremos a elas esse poder!…

Alexsandro Sgobin é professor e diretor de educação do Sinpro Campinas e Região

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