Cerca de 150 professores e professoras da rede SESI-SENAI participaram, nesta quinta-feira (5), de assembleia realizada na sede do Sinpro Campinas e Região. Por unanimidade, a categoria aprovou a manutenção da pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026, além de uma série de encaminhamentos para pressionar a rede nas negociações.

Docentes de diversas cidades da base do sindicato estiveram presentes no encontro, que começou com uma saudação da presidente do Sinpro Campinas, Conceição Fornasari. A abertura contou ainda com uma palestra da jornalista Marcia Quintanilha, secretária estadual de Mulheres do PCdoB, que abordou o tema “Violência e Assédio contra as Mulheres no Ambiente de Trabalho”.

Na sequência, a vice-presidente do sindicato, Paola Guidi, também professora do SESI, apresentou um balanço das negociações com a rede. Segundo ela, até o momento não houve apresentação de contraproposta por parte do SESI-SENAI, o que impede qualquer decisão sobre aceitação ou rejeição de propostas. A instituição também não apresentou discussão sobre reajuste salarial.

“Vamos decidir hoje o que faremos diante dessa indefinição e as ações que tomaremos”, afirmou.

Paola destacou ainda que a rede não respondeu positivamente a nenhuma das propostas apresentadas pelo sindicato. Entre os pontos mais sensíveis está a alteração na data das férias dos professores, medida que não estava prevista no acordo coletivo.

Segundo ela, a instituição argumenta que a legislação permite ao empregador definir o período de férias. “Mas destacamos que, após a Reforma Trabalhista, o que foi acordado entre as partes passou a prevalecer sobre o legislado”, afirmou.

Férias, licença-maternidade e alimentação em debate

Durante a assembleia, foram discutidos diversos temas da negociação coletiva, entre eles a organização do calendário escolar e o período de férias dos professores.

O SESI afirma que foi necessário compatibilizar os calendários escolares das redes SESI e SENAI, garantindo o cumprimento dos 200 dias letivos anuais, e que não seria possível alterar apenas a carga horária ou as férias do Ensino Médio. A instituição reconheceu que os sindicatos deveriam ter sido previamente informados sobre as mudanças, mas disse que não há possibilidade de rever o calendário de 2026, sinalizando apenas que o tema pode ser rediscutido para 2027.

Já os sindicatos questionam as alterações feitas e defendem a revisão das mudanças no calendário e nas férias, ressaltando a necessidade de respeitar o que foi definido na convenção coletiva e as condições de trabalho dos docentes.

Outro ponto debatido foi a licença-maternidade e adoção. O SESI-SENAI defende manter a redação já existente no acordo coletivo de 2025, sem alterações. O sindicato, por sua vez, busca ampliar ou aprimorar a cláusula, reivindicação que ainda não foi aceita pela representação patronal.

Também foi discutida a questão da alimentação dos docentes, especialmente nos locais onde não há refeitório ou restaurante próximo às unidades. O tema envolve o chamado Ticket de Refeição Individual (TRI). A rede afirma que a possibilidade de implantação do benefício ainda está em estudo e que, nos casos em que não houver opções de alimentação próximas, a direção da unidade pode acionar o setor de recursos humanos central para avaliar a adoção do ticket. Os sindicatos defendem o avanço da discussão e melhores condições de alimentação para os professores.

Encaminhamentos aprovados

Diante do cenário apresentado, a assembleia aprovou uma série de medidas. Entre elas, a elaboração de uma moção de repúdio à alteração considerada arbitrária das férias. Os professores concordaram em aceitar a mudança neste ano, mas defender que a situação seja revista em 2027, com o retorno à data historicamente definida na convenção coletiva.

Sobre a licença-maternidade, ficou decidido que o sindicato irá elaborar um dossiê, reunindo estudos científicos e documentação legal, para tentar sensibilizar a direção do SESI-SENAI sobre a importância de garantir o prazo de seis meses ou ampliá-lo.

A assembleia também aprovou que o sindicato ingresse na Justiça para obter a relação nominal dos docentes da rede, já que a instituição se recusa a fornecer essas informações. Segundo o Sinpro, a negativa dificulta o contato com os trabalhadores e pode configurar prática antissindical.

Durante o encontro, diversos professores utilizaram o microfone para apresentar relatos e sugestões de mobilização.

Ao final, a assembleia aprovou por unanimidade a manutenção da pauta de reivindicações e os encaminhamentos apresentados pela direção do sindicato. “Não estamos representando apenas meia-dúzia de professores. A adesão maciça da categoria hoje prova a força da categoria e a representatividade do sindicato, dando legitimidade para prosseguirmos na luta”, afirmou Paola Guidi.

Encerrando a assembleia, a presidente Conceição Fornasari informou que os próximos passos da campanha salarial serão divulgados pelos canais de comunicação do Sinpro Campinas e da Fepesp, para manter a categoria informada sobre o andamento das negociações.

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