Para quem vive o cotidiano da sala de aula, a leitura pode ser muito mais do que um hábito cultural — ela se torna também uma ferramenta poderosa de formação. Ao ampliar repertórios, despertar novas perguntas e abrir caminhos para reflexões sobre a sociedade, a literatura ajuda professores a repensar práticas pedagógicas e a construir pontes entre diferentes áreas do conhecimento.

Essa é a perspectiva defendida pela professora Marlene Arruda, coordenadora do Clube de Leitura do Sinpro Campinas e Região, atividade reconhecida como parte do Ponto de Cultura do Sindicato. Para ela, a ficção literária pode ser um espaço privilegiado para o encontro entre várias formas de conhecimento. “Defendo uma pedagogia através da ficção literária, onde a História, a Geopolítica, a Filosofia e todas as demais ciências podem estar presentes”, afirma.

A experiência da leitura, segundo Marlene, amplia o olhar do educador e contribui para tornar as aulas mais instigantes. “O professor que lê acumula cultura e percebe como um conteúdo ficcional pode interessar seus alunos”, explica. Muitas vezes, histórias e personagens se transformam em ponto de partida para debates sobre questões sociais, dilemas morais e acontecimentos históricos.

Ela lembra um exemplo marcante da literatura contemporânea: em O Avesso da Pele, do escritor brasileiro Jeferson Tenório, o protagonista — também professor — decide propor aos alunos um julgamento fictício inspirado em Crime e Castigo, clássico de Fyodor Dostoevsky. A atividade mobiliza os estudantes e mostra como a literatura pode despertar interesse e participação em sala de aula.

Para Marlene, esse tipo de experiência revela o potencial pedagógico da leitura literária. Ao entrar em contato com diferentes narrativas, professores ampliam referências culturais e encontram novas formas de abordar temas complexos com seus alunos.

É nesse contexto que iniciativas como o Clube de Leitura do Sinpro ganham importância. Mais do que um espaço de convivência cultural, o grupo se torna também um ambiente de troca intelectual entre educadores e leitores de diferentes áreas, onde cada encontro amplia interpretações, provoca debates e fortalece o vínculo entre leitura, reflexão e prática docente.

Em tempos de transformações rápidas na educação e na sociedade, cultivar o hábito da leitura pode ser, para muitos professores, uma forma de renovar o olhar sobre o mundo — e, ao mesmo tempo, sobre a própria sala de aula. Afinal, como lembra Marlene Arruda, a literatura tem a capacidade de abrir caminhos inesperados para o conhecimento, conectando histórias, ideias e pessoas.

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