Nesta semana, embarcamos para Cuba. Bianca Borges, atual presidenta da UNE, acompanhada de três ex-presidentes — Orlando Silva, Gustavo Petta e Manuella Mirella — integrando o “Comboio Nuestra América”, uma mobilização internacional de solidariedade ao povo cubano. Levamos donativos arrecadados pela campanha “Com Cuba, Sempre!” e, mais do que isso, levamos a mensagem histórica do movimento estudantil brasileiro: a luta pela paz, pela soberania dos povos e contra o imperialismo.

A presença de quatro gerações de dirigentes da UNE nessa missão não é casual. É o reconhecimento de que a solidariedade internacional não é pauta de uma gestão, mas compromisso permanente que atravessa décadas de história da entidade. Desde sua fundação em 1937, a UNE defende o fim das guerras, a autodeterminação dos povos e a construção de um mundo sem bloqueios, invasões ou intervenções imperialistas.

A paz como princípio, a solidariedade como prática

A defesa da paz sempre foi marca da UNE. Denunciamos as Guerras no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, nos mobilizamos contra invasões militares na América Latina e, hoje, seguimos firmes contra todas as formas de imperialismo que ameaçam os povos soberanos. Para nós, defender a paz não é discurso retórico — é enfrentar concretamente as causas das guerras: a ganância por recursos naturais, a submissão econômica e o bloqueio cruel contra nações que ousaram escolher seu próprio caminho.

Cuba resiste há mais de 65 anos ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Esse cerco não é apenas uma sanção comercial abstrata — é uma política sistemática de asfixia que impede o acesso a alimentos, medicamentos, energia e insumos essenciais. Nos últimos anos, especialmente durante o governo Trump, o bloqueio foi intensificado com novas sanções que atingem diretamente empresas e países que comercializam com Cuba, aprofundando a crise energética e humanitária na ilha.

Diante disso, cabe aos países do Sul Global, especialmente da América Latina e do Caribe, mobilizarem-se em solidariedade concreta. Furar bloqueios, criar correntes humanitárias e garantir que o imperialismo não avance sobre povos que resistem heroicamente. A Revolução Cubana transformou a vida e a história de Cuba, garantiu educação e saúde universais, erradicou o analfabetismo e se tornou referência mundial em ciência e medicina. Essa revolução atravessa gerações e segue viva, apesar de tudo.

Gerações unidas pela mesma causa

A composição deste comboio simboliza a continuidade histórica da luta estudantil pela solidariedade internacional. Orlando Silva presidiu a UNE entre 1995 e 1997, em um período marcado pela resistência ao neoliberalismo e pela reorganização dos movimentos sociais após a redemocratização e impeachment de Collor. Depois de sua gestão, integrou a Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), reforçando os laços internacionais da juventude progressista.

Gustavo Petta liderou a entidade entre 2003 e 2005, período em que a UNE recebeu o Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes da OCLAE junto com a Bienal da UNE, evento que contou com a presença do presidente Lula, de Evo Morales, de Cristina Kirchner e do ministro Gilberto Gil, entre outras lideranças. Foi um momento histórico de integração latino-americana e afirmação do protagonismo estudantil na região.

Manuella Mirella presidiu a UNE entre 2023 e 2025, gestão marcada por grandes mobilizações em defesa da Palestina. Foram realizadas diversas ações nas universidades, e o Congresso de 2025, que encerrou sua gestão, terminou com um grande ato de solidariedade ao povo palestino. Sua gestão também recebeu a Conferência Regional de Educação Superior (CRES), evento internacional que discutiu inclusão, diversidade e políticas para o ensino universitário na América Latina e Caribe.

Agora, Bianca Borges, eleita em 2025, lidera a UNE em um contexto de ofensiva conservadora global e aprofundamento de crises estruturais. Sob sua presidência, a entidade lançou a campanha “Com Cuba, Sempre!”, mobilizando estudantes de todo o Brasil para arrecadar recursos e medicamentos destinados ao povo cubano. Essa iniciativa dialoga diretamente com a tradição histórica da UNE, como a campanha “O Petróleo é Nosso” nos anos 1950, que mobilizou o país pela soberania nacional.

Rebeldia que atravessa gerações

O que nos une — quatro presidentes de gerações diferentes — é a convicção de que a luta pela solidariedade internacional não envelhece, não se aposenta, não se cansa. A cada geração, o imperialismo se reinventa, mas a resistência dos povos também. E a UNE, cumprindo seu papel histórico, segue ao lado de quem resiste.

Levar medicamentos a Cuba é um gesto humanitário concreto. Mas levar a mensagem dos estudantes brasileiros é, acima de tudo, um gesto político: Cuba não está sozinha. A América Latina não abandonará quem a inspirou a sonhar com revolução, soberania e dignidade. Enquanto houver bloqueio, haverá resistência. Enquanto houver imperialismo, haverá solidariedade.

Esse comboio é a rebeldia que nos inspira. É a esperança que nos move. É a história que nos une. Com Cuba, sempre!

Bianca Borges, Presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE)
Gustavo Petta, Vereador de Campinas desde 2013 e secretário nacional de Juventude do PCdoB
Manuela Mirella, Dirigente nacional da União da Juventude Socialista (UJS)
Orlando Silva, Deputado federal pelo PCdoB-SP desde 2015

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