A recente entrevista concedida por Paulo Skaf à revista Veja, na qual afirma que “não é hora” de acabar com a escala 6×1, recoloca no centro do debate uma velha disputa: de um lado, o setor patronal defendendo a manutenção de modelos exaustivos de trabalho; de outro, trabalhadores e suas entidades reivindicando condições dignas, saúde e qualidade de vida.

Para o presidente da Fiesp, a mudança na jornada “pode prejudicar trabalhadores e consumidores” e deveria ser evitada neste momento econômico. O argumento, no entanto, ignora uma realidade concreta: a atual organização do trabalho, especialmente na escala 6×1, tem imposto rotinas desgastantes que comprometem a saúde física e mental de milhões de trabalhadores no Brasil.

A lógica apresentada por Skaf — de que a redução da jornada elevaria custos e, por consequência, prejudicaria a economia — não é nova. Historicamente, esse mesmo argumento foi utilizado contra a redução da jornada para 44 horas semanais prevista na Constituição de 1988 e, antes disso, contra a própria limitação da jornada de trabalho. Em todos esses momentos, a ampliação de direitos não levou ao colapso econômico, mas sim à melhoria das condições de vida e à dinamização do mercado interno.

Ao afirmar que “não é o momento”, Skaf desconsidera que, para os trabalhadores, especialmente os que vivem sob jornadas intensas e baixos salários, nunca houve “momento ideal” para reivindicar direitos — eles são conquistados justamente em contextos adversos, por meio de mobilização e negociação coletiva.

Outro ponto levantado pelo presidente da Fiesp é o impacto sobre pequenos negócios e serviços que funcionam aos fins de semana. No entanto, a discussão sobre o fim da escala 6×1 não implica o fechamento de atividades, mas sim a reorganização das jornadas, com distribuição mais equilibrada do tempo de trabalho e respeito aos limites humanos. Países que avançaram na redução da jornada não eliminaram serviços essenciais — ao contrário, promoveram maior produtividade e melhor qualidade de vida.

Skaf também critica a possibilidade de medidas como a desoneração da folha para viabilizar mudanças. No entanto, ignora que o debate sobre financiamento deve considerar a distribuição de renda e o papel social das empresas. Não se trata de “benefício” indevido, mas de uma política pública voltada à geração de empregos e à melhoria das condições de trabalho — aspectos fundamentais para o desenvolvimento econômico sustentável.

Ao mencionar que o Brasil possui cerca de 44 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, número próximo ao de formais, o dirigente empresarial aponta um problema real, mas chega a uma conclusão equivocada. A informalidade não decorre da ampliação de direitos, mas da sua ausência e da fragilidade na fiscalização. Reduzir a jornada e melhorar as condições de trabalho pode, ao contrário, estimular a formalização, ao tornar o emprego com direitos mais atrativo e viável.

Por fim, ao afirmar que “a sociedade não pode entrar nessa cilada”, Skaf tenta desqualificar um debate legítimo, que vem ganhando força entre trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais. A defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada não é uma armadilha, mas uma pauta histórica da classe trabalhadora, alinhada às transformações do mundo do trabalho e às necessidades de uma sociedade mais justa.

Para o Sinpro Campinas e Região, reduzir a jornada de trabalho e superar modelos como a escala 6×1 não é apenas possível — é necessário. Trata-se de colocar a vida acima do lucro e de reconhecer que desenvolvimento econômico de fato só se sustenta quando caminha lado a lado com justiça social.

Sindicato dos Professores - Campinas e Região

 Localização

Av. Profª Ana Maria Silvestre Adade, 100, Pq. Das Universidades
Campinas – SP | CEP 13.086-130 |

 Horário de atendimento
2ª a 6ª das 10hs às 16hs

 Telefone
(19) 3256-5022

 Email
sinprocampinas@sinprocampinas.org.br

"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção." Paulo Freire

Todos os direitos reservados -
SINDICATO DOS PROFESSORES DE CAMPINAS E REGIÃO