O agravamento da crise na saúde pública de Campinas tem levado movimentos sociais, entidades e sindicatos às ruas. No próximo dia 7 de abril, será realizada a 3ª Marcha em Defesa do SUS, convocada pelo Movimento Popular de Saúde de Campinas (MOPS), com participação do Sinpro Campinas e Região. A mobilização reúne 65 organizações da sociedade civil, conselhos de saúde, sindicatos e movimentos populares, com o objetivo de cobrar do poder público medidas urgentes para enfrentar a precarização, a terceirização e o desmonte do sistema municipal de saúde.
A concentração está marcada para às 16h, no Largo da Catedral, com caminhada até a Prefeitura Municipal.
O ato ocorre em um contexto de crescente pressão de setores neoliberais e de extrema direita que, segundo as entidades organizadoras, buscam transformar o SUS em um sistema “pobre para pobres”, restringindo o direito universal à saúde a uma oferta mínima de serviços e ampliando a mercantilização do cuidado. “O SUS é a maior conquista da democracia brasileira, mas está sendo desmontado por dentro. Em Campinas, isso se traduz em filas de mais de um ano para cirurgias, equipes incompletas na atenção básica, gestão fragmentada e um surto de superlotação que já levou ao fechamento de leitos. Não vamos aceitar que a saúde vire mercadoria”, afirmam lideranças do MOPS.
Para o Sinpro Campinas e Região, a defesa do SUS é parte fundamental da luta em defesa dos direitos sociais e da dignidade da população. A diretora de Saúde do Sindicato, professora Jenice Pizão, destaca a importância da mobilização: “Defender o SUS é defender a vida, a educação e os direitos da classe trabalhadora. Não há educação de qualidade sem condições dignas de saúde. O desmonte que estamos presenciando em Campinas é inaceitável e exige resposta coletiva. O Sinpro estará presente na Marcha, somando forças com todos os que lutam por um sistema público, universal e de qualidade.”
Dados que justificam a luta
Em Campinas, a crise se aprofunda com o duplo comando na gestão da saúde, que separa a Rede Mário Gatti (RMG) da Secretaria Municipal de Saúde, além do avanço das terceirizações, da precarização do trabalho e do desrespeito ao controle social. Segundo as entidades, decisões vêm sendo tomadas de forma tecnoburocrática, sem escuta dos conselhos locais e da população.
Um ofício com o diagnóstico da crise no município, as principais reivindicações e a solicitação de audiência foi protocolado no dia 24 de março, dirigido ao prefeito Dário Saadi e ao secretário de saúde Lair Zambom.
Na Carta aberta “Em defesa da vida – contra a mercantilização da Saúde no Brasil e Campinas”, os organizadores da marcha ressaltam a importância do SUS para a população brasileira: o sistema atende 75% dos brasileiros, é responsável por 95% dos transplantes realizados no país e mantém um dos maiores programas de vacinação do mundo. “Sem o SUS, seria o caos”, destacam.
A Carta elenca uma série de reivindicações para a superação dos problemas apresentados, dentre estas:
● Complementação imediata das equipes da Atenção Primária, hospitais e UPAs;
● Ampliação do número de Unidades de Saúde e equipes de Saúde da Família;
● Extinção do duplo comando, subordinando a Rede Mário Gatti à Secretaria Municipal de Saúde;
● Substituição das terceirizações por profissionais concursados;
● Fortalecimento da Saúde Mental, com ampliação de CAPS e CECOS;
● Radicalização da democracia, garantindo que conselhos locais participem efetivamente da gestão e do planejamento;
● Regionalização efetiva, com Campinas assumindo a liderança do SUS na região metropolitana, possibilitando integração real entre os municípios e responsabilização como município polo.
“A vida não espera. O momento é agora. O SUS é nosso e ninguém tira da gente. Direito conquistado não se compra e não se vende”, convocam os organizadores.
Ato em defesa da vida
A 3ª Marcha em Defesa do SUS reunirá usuários, trabalhadores da saúde, gestores comprometidos com o SUS público e a população em geral. Diante da gravidade da situação na rede municipal, a expectativa é de grande participação. “Saúde não é mercadoria. É direito humano. E só um SUS público, estatal, universal e participativo pode garantir a dignidade do povo de Campinas”, conclui o manifesto que será entregue às autoridades no dia 7 de abril.
Serviço
Evento: 3ª Marcha em Defesa do SUS – Campinas
Data: Quarta-feira, 7 de abril
Concentração: 16h – Largo da Catedral
Caminhada: até a Prefeitura Municipal de Campinas
Realização: Movimento Popular de Saúde de Campinas, com apoio de mais de 70 entidades, conselhos de saúde, sindicatos e movimentos populares.

