Foi realizada ontem, na Câmara Municipal, a 18ª Audiência Pública para Debater sobre a Saúde do Trabalhador de Campinas. O evento, convocado pela Frente Parlamentar para Enfrentamento de Violências Relacionadas ao Trabalho, teve como objetivo compreender melhor os processos de adoecimento dos trabalhadores e discutir formas de enfrentar esta situação.

Nas palavras do vereador Gustavo Petta (PCdoB), um dos integrantes da Frente, o atual momento do país é “um dos mais difíceis para os trabalhadores brasileiros” e isso estaria diretamente relacionado ao aumento dos casos de adoecimento no ambiente de trabalho. “Estamos falando de um contexto ainda marcado pela escalada golpista, que começou em 2016 com a retirada de direitos trabalhistas e a reforma da previdência, e culminou na destruição das políticas públicas causada pelo bolsonarismo”, disse.

Petta citou ainda o caso das cuidadoras das escolas infantis em Campinas, que trabalham sob pressão, ganham abaixo do mínimo e não têm direitos garantidos. “O exemplo é bem ilustrativo, pois mostra o que a terceirização pode fazer com a saúde do trabalhador quando o poder público não exige que as leis trabalhistas sejam observadas pelas empresas contratadas”, frisou.

A professora Ana Carolina Lemos Pereira usou o microfone para falar em nome do Sinpro Campinas e da APROPUCC. Ela lembrou que a saúde do trabalhador é “refém da tensão entre capital e trabalho” e elogiou a iniciativa da Frente Parlamentar de discutir com a sociedade este problema. Segundo ela, a união de autoridades e entidades que representam os trabalhadores pode “amenizar essa tensão”.

A professora afirmou que, nos últimos anos, sobretudo após a chegada da pandemia e da extrema direita à frente do governo federal, as condições de trabalho “pioraram muito” no Brasil. No caso específico dos docentes, houve “aumento de carga horária e redução de salários, precarização, falta de investimento e demissões em massa no setor privado”.

Ainda segundo Ana Carolina, “os professores estão ficando doentes por conta da sobrecarga de trabalho, do ambiente insalubre e da falta de valorização profissional, mas a situação é inviabilizada por conta da subnotificação”, disse. Ela destacou também que o movimento sindical deve intensificar a luta pela revogação da reforma trabalhista e da previdência e sugeriu que Sinpro Campinas e APROPUCC fossem incorporados à Frente Parlamentar.

Maria Maeno, pesquisadora do Fundacentro e do Instituto Walter Leser, afirmou que a saúde do trabalhador deveria ser incluída nas políticas públicas dos governos. “É inadmissível que os interesses econômicos estejam acima do bem coletivo. A Constituição Federal diz que a saúde é um direito de todos, mas não param de nos chegar notícias de trabalho análogo à escravidão, de trabalho infantil, de trabalhadores afastados com depressão ou doenças graves por conta da exploração desumana”, disse.

Por fim, Maeno elogiou a ideia da Frente Parlamentar de criar um canal de denúncias para situações degradantes ou de desrespeito às leis no ambiente de trabalho.

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