Desde a última quarta-feira (28), a França tem sido atingida por uma onda massiva de protestos contra violência policial no país. Na noite de terça-feira, 27, o adolescente Nahel M foi brutalmente assassinado por um policial francês, o que gerou revolta entre a população. A violência cometida não foi específica e reflete uma política da polícia francesa que foca em jovens imigrantes. Oriundo de uma família argelina, Nahel se tornou um símbolo da opressão sofrida pelos povos de África no país.

“Não é a primeira vez que um jovem magrebino é morto pela polícia na França, mas ataques contra essa comunidade aumentaram mais de 50% desde 2020”, explica a pesquisadora em povos magrebinos e norte-africanos Camila Najma em seu Twitter. “São protestos liderados por pessoas negras e marrons contra um sistema que as oprime há séculos”, completou. “Chamem pelo que é: racismo”, afirma.

Mais de 1300 já foram presos desde o início das manifestações no país e o ministério do Interior busca tentar encontrar uma forma de coibir as manifestações. No começo do ano, a França já havia sido atingida por uma onde de protestos de centrais sindicais que lutavam contra a reforma na previdência promovida por Emmanuel Macron.

O presidente estava em Bruxelas em reuniões com autoridades europeias. Ele cancelou uma visita que faria à Alemanha e convocou uma reunião de crise.

O neoliberal criticou as manifestações e afirmou que a medida era uma tentativa de instrumentalização política da morte. “A instrumentalização da morte de um adolescente é inaceitável. Este deveria ser um momento de recolhimento e respeito”, declarou o chefe de Estado.

“Condeno com firmeza todos aqueles e aquelas que utilizam essa situação e esse momento para implantar a desordem e atacar nossas instituições. Eles carregam consigo uma responsabilidade. Eu também condeno, todos condenamos, essas violências injustificáveis, que não têm nenhuma legitimidade”, afirmou.

Porém, apesar das declarações de Macron, a situação não parece se tranquilizar: a população francesa, insatisfeita com a crise econômica, com a reforma da previdência e com a violência policial deve continuar nas ruas após a reação das autoridades contra as manifestações.

O presidente também afirmou que os presos nas manifestações são jovens. Contudo, vale ressaltar que foi o próprio estado francês que matou um jovem inocente.

“Um terço dos detidos são jovens, às vezes muitos jovens”, disse o presidente francês. “É responsabilidade dos pais de mantê-los em casa. É importante para o ‘sossego’ de todos que os pais possam exercer claramente sua autoridade. A República não pode substituí-los”, afirmou.

Ele também tentou colocar a culpa das manifestações nos video-games. “Temos a impressão de que alguns deles vivem na rua como estivessem dentro de um jogo de videogame que os intoxicaram”, disse.

A avó de Nahel, contudo, parece compartilhar com a revolta dos manifestantes. “Eu nunca vou perdoá-los. Meu neto morreu, mataram meu neto. Não estamos nada felizes, somos contra o governo”, disse.

Nahel M. teve seu corpo sepultado neste sábado em uma cerimônia privada. A expectativa é que novas manifestações sigam assolando a França nos próximos dias.

Quem era Nahel M.

Nahel, de 17 anos de idade, era um jovem de origem argelina que morava no bairro de Pablo Picasso, na região de Nanterre, na periferia parisiense.

Nahel tomou um tiro de um policial de fiscalização francês enquanto aguardava o farol de trânsito mudar de cor, por volta das 9h da manhã. Ele trabalhava como entregador em sites de aplicativo, e estudava para ser eletricista. Nahel não tinha passagem pela polícia.

“Perdi um filho de 17 anos, eles levaram meu bebê”, afirmou a mãe de Nahel em um vídeo publicado nas redes sociais. “Ele ainda era uma criança, precisava de sua mãe. Esta manhã ele me deu um grande beijo e disse que me amava. Eu disse a ele para ter cuidado e eu o amava”, afirmou.

Com informações da Revista Fórum
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