Ser professor no Brasil hoje significa conviver diariamente com condições de trabalho que, em vez de valorizar a profissão, acabam adoecendo quem escolheu ensinar. Não se trata apenas de cansaço normal da rotina: é um esgotamento que vai muito além do físico e que tem levado muitos docentes ao limite.
A sobrecarga de trabalho é um dos principais motivos. A aula não acaba quando a porta da sala se fecha — o professor leva pilhas de provas para corrigir, relatórios para preencher, planejamentos a refazer. O tempo que deveria ser de descanso ou de convívio com a família é engolido pelo trabalho invisível e não remunerado.
Outro fator que pesa é a cobrança por resultados imediatos. Muitas vezes, o professor é responsabilizado por problemas que estão muito além da escola: desigualdade social, falta de políticas públicas, ausência de apoio às famílias. É uma pressão que gera frustração e a sensação de que nunca se faz o suficiente.
E como se não bastasse, a estrutura das escolas deixa a desejar. Salas cheias, falta de material, prédios em mau estado — tudo isso exige do professor um esforço ainda maior para manter a qualidade das aulas. É desgastante lutar todos os dias contra a falta de condições mínimas para ensinar.
O resultado é claro: aumento de casos de depressão, ansiedade, burnout, além de problemas físicos como dores na voz e na coluna. E, para completar, o salário baixo e a falta de reconhecimento social fazem muitos professores se sentirem desvalorizados e desmotivados.
O que precisamos entender é que esse adoecimento não é um problema individual, mas coletivo. Não é o professor que “não dá conta”; é o sistema que não oferece condições dignas para que ele exerça sua função.
Valorizar a educação passa, necessariamente, por cuidar da saúde de quem educa. Sem isso, corremos o risco de perder o maior patrimônio da escola: os próprios professores.
Do Sinpro Campinas e Região

