O estado de São Paulo voltou a registrar um dado alarmante na violência de gênero. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), janeiro de 2026 foi o mês mais violento para as mulheres desde o início da série histórica, com 27 feminicídios — o equivalente a quase uma morte por dia.
O número supera o recorde anterior e confirma a escalada que já vinha sendo observada. Em 2025, o estado já havia registrado o maior número de casos desde 2018, quando o feminicídio passou a ser contabilizado oficialmente pela SSP.
Além do aumento dos feminicídios, outros indicadores de violência contra a mulher também cresceram. Os registros de ameaça passaram de 8.705 para 9.646 na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Casos de lesão corporal também apresentaram alta, evidenciando um cenário preocupante.
Nas últimas semanas, crimes chocaram o estado. Uma mulher foi morta pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma joalheria em São Bernardo do Campo. Em outro caso, na Zona Leste da capital paulista, um homem foi preso suspeito de matar a ex-mulher após uma discussão.
Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Kátia Branco, os dados reforçam a urgência de políticas públicas estruturantes e permanentes.
“Não podemos naturalizar que quase uma mulher seja assassinada por dia em São Paulo. Esse recorde é a prova de que precisamos fortalecer a rede de proteção, ampliar as políticas de prevenção e investir em educação para enfrentar a cultura da violência. A vida das mulheres precisa ser prioridade absoluta do Estado”, afirma Kátia Branco.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) reafirma seu compromisso com o enfrentamento à violência de gênero e a defesa de políticas públicas que garantam proteção, autonomia econômica e dignidade às mulheres. A entidade defende o fortalecimento da rede de atendimento, a ampliação das delegacias especializadas, o cumprimento rigoroso das medidas protetivas e a implementação de políticas de prevenção que envolvam toda a sociedade.
Diante dos números recordes, a CTB reforça que o combate ao feminicídio deve ser tratado como prioridade nacional, com ações integradas entre poder público, sistema de justiça e movimentos sociais.

