O Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro Campinas) foi homenageado pela Câmara Municipal de Campinas com o Diploma de Mérito Educacional Darcy Ribeiro, honraria concedida a instituições e personalidades que se destacam por sua contribuição à educação. A solenidade ocorreu na noite desta terça-feira, 16 de junho, e reconheceu os 85 anos de trajetória do Sindicato na defesa da educação e dos direitos dos professores.
A homenagem foi proposta pelo vereador Gustavo Petta (PCdoB) e reuniu dirigentes sindicais, representantes de entidades parceiras, professores e convidados. A abertura da sessão solene contou com uma apresentação especial do Coral Voz Livre Campinas, grupo feminino fundado em 2012 e regido pelo maestro Hipólito Ribas, vinculado ao Ponto de Cultura do Sindicato.
Compuseram a mesa de autoridades o vereador Gustavo Petta; a presidente do Sinpro Campinas, Conceição Fornasari, que recebeu o diploma em nome da entidade; o diretor da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), Ailton Fernandes; o representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Amarildo França; e o professor aposentado Augusto Petta, primeiro presidente do Sinpro Campinas após a retomada democrática do Sindicato, em 1981.
Reconhecimento à trajetória do Sindicato
Ao justificar a homenagem, Gustavo Petta destacou o papel desempenhado pelo Sinpro Campinas ao longo de sua história. “O Sinpro é uma entidade classista que defende os direitos dos professores e a educação pública de qualidade, apesar de representar os docentes da rede privada de ensino. São 85 anos de atuação que merecem o reconhecimento desta Casa por tudo o que a entidade fez e continua fazendo pela categoria docente em Campinas e região”, afirmou.
Representando a CTB, Amarildo França ressaltou que a atuação sindical deve ultrapassar pautas estritamente corporativas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. “O Sinpro Campinas é a prova de que os sindicatos não devem defender apenas interesses específicos de suas categorias, mas também abraçar causas que promovam o desenvolvimento da nação e o bem-estar da população. Essa tem sido uma marca da história de lutas do Sindicato”, declarou.
Já Ailton Fernandes enfatizou a relevância do movimento sindical na defesa da democracia ao longo da história e destacou o orgulho da Fepesp em ter o Sinpro Campinas entre suas entidades filiadas. “Em vários momentos históricos, o sindicalismo ajudou a barrar o fascismo e voltará a fazê-lo sempre que necessário. O Sinpro tem uma trajetória de luta fantástica, e a Fepesp não poderia deixar de estar presente nesta homenagem. Para nós, um convite do Sinpro é uma convocação”, afirmou.
Memória, resistência e compromisso com o futuro
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o pronunciamento de Augusto Petta. Primeiro presidente do Sindicato após sua reorganização democrática, em 1981, ele recordou nominalmente os integrantes daquela diretoria histórica e se emocionou ao lembrar que 14 dos 23 dirigentes já faleceram.
Ao refletir sobre os desafios atuais, Augusto destacou a atualidade do lema escolhido para as comemorações dos 85 anos do Sindicato: Nossa história é resistência. “O slogan veio em boa hora. Vivemos um momento delicado no Brasil e no mundo, em que a democracia se vê gravemente ameaçada. O Sinpro demonstra que é a unidade que garantirá a continuidade do nosso projeto sindical e de uma sociedade mais justa. Não há dignidade humana possível em um sistema baseado na exploração”, afirmou.
Ao receber o diploma, a presidente do Sinpro Campinas, Conceição Fornasari, agradeceu a homenagem e ressaltou que o reconhecimento pertence a toda a categoria e às gerações de dirigentes, funcionários e professores que construíram a história da entidade. “Esta homenagem não é para uma pessoa, mas para o Sinpro Campinas e para todos aqueles que ajudaram a construir sua trajetória. Sou apenas a representante que recebe este diploma em nome do Sindicato”, afirmou.
Conceição também destacou as conquistas obtidas pelos professores ao longo das décadas graças à organização coletiva e reforçou a importância da sindicalização em um cenário de crescente precarização das relações de trabalho. “Professores e professoras são a base de todas as profissões. Vivemos tempos em que a educação e o conhecimento vêm sendo atacados por setores que enxergam a formação crítica como uma ameaça aos seus interesses. Sem educação não há futuro, não há desenvolvimento nacional e não há democracia. O Sinpro lutou e continua lutando incansavelmente por uma sociedade mais justa, igualitária e comprometida com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, concluiu.

