Em 17 de junho de 2026, a Contee foi homenageada em Sessão Solene na Câmara dos Deputados. A homenagem à Confederação não celebra apenas o passado; ilumina o futuro de quem acredita que a educação é o pilar da soberania e do desenvolvimento nacional sustentável. A sessão foi proposta pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), guerreira da classe trabalhadora e com uma trajetória que se confunde com a luta sindical e com a defesa intransigente da educação.

A Contee nasceu de uma ruptura necessária. Foram dois momentos fundadores: a Plenária de Fundação, em novembro de 1990, na Praia Grande (SP), onde se plantou a semente da unidade; e o 1º Congresso, em julho de 1991, em Guarapari (ES), onde se consolidou a estrutura e se elegeu a primeira diretoria. Como ensina o Professor José Geraldo de Santana Oliveira, a Contee nasceu para romper os “grilhões da estrutura sindical oficial” – e atender os anseios de participação dos trabalhadores, construindo um Estatuto Democrático que permitiu a filiação direta de federações e sindicatos, dando voz à base no topo da pirâmide.

Pela coragem de desbravar esse caminho, homenageamos as federações fundadoras — Fitee, Fetee-Sul e Fepesp — e os presidentes Wellington Teixeira Gomes, Luís Antônio Barbagli e José Roberto Torres Machado, que compreenderam que apenas uma confederação nacional e classista poderia oferecer resistência real ao capital no ensino privado.

A trajetória da Contee é marcada por conquistas concretas que moldaram a educação brasileira. A entidade esteve no centro das discussões da LDB de 1996 e foi protagonista na construção da Lei de Cotas. Ocupou os fóruns nas Conaes de 2010 e 2014, garantindo que o Plano Nacional de Educação refletisse os anseios da classe trabalhadora. Em 2013, liderou a campanha histórica contra a terceirização. Em 2016, foi trincheira contra o golpe e, depois, resistência contra as nefastas Reformas Trabalhista e Previdenciária, decorrentes dessa ruptura com a democracia.

A Contee é um edifício construído a muitas mãos. A gestão de Wellington Teixeira Gomes liderou a institucionalização da entidade. Sob a coordenação de Augusto Petta enfrentou o auge do neoliberalismo, investindo na formação sindical. Madalena Guasco Peixoto combateu a financeirização e a mercantilização da educação. A Diretoria da entidade, quando Gilson Reis esteve à sua frente, conduziu a Confederação naquele período do golpe de 2016, da pandemia, resistindo à tentativa de asfixia sindical. Em cada uma dessas gestões, as diretorias da Contee enfrentaram o desafio do seu tempo com coragem e compromisso de classe.

Mas a luta da Contee sempre ultrapassou fronteiras. O internacionalismo está no seu DNA. Desde a gestão fundadora, articula-se com a Internacional da Educação, a CEA e a CPLP-SE, combatendo a mercantilização do ensino em escala global. Esteve no G20 Social, no Congresso Mundial da IE em Buenos Aires e nas trincheiras de solidariedade com a Palestina, com Cuba e com a América Latina que resiste ao avanço do neoliberalismo, do autoritarismo e aos ataques do imperialismo. Isso porque a educação é um direito universal, e a classe trabalhadora é uma só, em qualquer país.

O presente impõe novas batalhas. A Contee luta contra a uberização do trabalho e a pejotização. Não é contra a tecnologia, mas contra o seu uso perverso. Defende que a Inteligência Artificial seja ferramenta de apoio ao trabalho docente, e nunca pretexto para substituição de profissionais ou rebaixamento de salários.

Foi para conter a degradação da formação de professores que a Contee conquistou o Marco Regulatório da EAD – Decreto 12.456/25. Os números do Enade 2025 são a prova cabal da urgência: enquanto a proficiência dos licenciandos presenciais ultrapassa os 70%, no ensino a distância esse índice não chega a 53%. A disparidade escancara que a mercantilização do ensino não forma professores, apenas os certifica.

Como ensina Dermeval Saviani, a educação é um ato de produção da humanidade em cada sujeito – e isso exige mediação, presença, afeto e diálogo, não a mera distribuição de conteúdo digital. A técnica, sem humanidade, a serviço do mercado esvazia a essência do ato educativo. Por isso, a luta da Contee é dupla: exigir a implementação integral do decreto, com a extinção gradual das licenciaturas 100% EAD até 2027, e garantir o enquadramento do mediador pedagógico como atividade docente, impedindo que essa função seja mais uma peça na engrenagem da precarização do trabalho.

A saúde mental dos trabalhadores da educação segue como pauta de urgência máxima: em 2025, foram 546 mil afastamentos por doença mental, o maior patamar da década. O respeito à NR-1, a responsabilização de quem promove o adoecimento dos trabalhadores e a regulação pública do setor privado seguem como bandeiras centrais da luta da Contee.

O ano de 2026 é decisivo. Em outubro, a sociedade brasileira vai às urnas. O XI Conatee, realizado neste marco de 35 anos, aprovou o Plano de Lutas da Contee e elegeu a nova diretoria. Entre as pautas centrais estão o fim da jornada 6×1, a revogação da reforma trabalhista, a defesa do cumprimento do novo PNE e a luta contra a disseminação de escolas cívico-militares e a plataformização da educação. A Contee quer que o Brasil siga o caminho do desenvolvimento e justa distribuição de riqueza com Lula reeleito e com parlamentares que defendem os direitos da classe trabalhadora.

Encerramos evocando o mestre Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Freire nos ensinou que a esperança não é espera, mas ação. É o verbo “esperançar”. A Contee é o esperançar em movimento. Nestes 35 anos, foi resistência; nos próximos 35, será a construção de uma educação verdadeiramente soberana, democrática e emancipadora.

Vida longa à Contee! Vida longa às lutas e conquistas dos trabalhadores e das trabalhadoras da educação!

Railton Nascimento Souza

Brasília, junho de 2026

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