Um incêndio de grandes proporções atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite desta quarta-feira (7), horas depois de estudantes relatarem ameaças atribuídas a bolsonaristas radicais contra setores da instituição. As chamas provocaram danos severos em laboratórios de pesquisa e destruíram equipamentos e materiais científicos. Não houve vítimas. A causa do incêndio ainda é desconhecida, e não há confirmação de que o episódio esteja relacionado às ameaças.
O fogo atingiu um edifício que abrigava laboratórios das áreas de farmácia, informática e genética. A universidade confirmou que as chamas se espalharam rapidamente devido às características dos produtos armazenados no local, comprometendo instalações e atividades de pesquisa. O prédio foi isolado para avaliação das condições estruturais e dos prejuízos.
O incêndio ocorreu em um contexto de tensão política no campus. Na terça-feira (6), estudantes participaram de uma manifestação em defesa da democracia, da educação pública e em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro (PL).
O deputado federal eleito por Pernambuco Jones Manoel (PSOL) denunciou relatos de ameaças recebidas por estudantes antes do incêndio. Segundo ele, as mensagens teriam mencionado explicitamente a possibilidade de um ataque contra instalações da universidade em nome de Flávio Bolsonaro.
“Horas antes, alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em “explodir o departamento” em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência. Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso”, afirmou Jones Manoel, segundo o Correio Braziliense.
As denúncias também foram divulgadas nas redes sociais, ampliando a preocupação entre estudantes e integrantes da comunidade acadêmica. Até o momento, não há informações oficiais que comprovem a autoria das mensagens ou indiquem que o incêndio tenha sido provocado intencionalmente.
Incêndio compromete laboratórios e pesquisas científicas
O imóvel atingido abriga instalações ligadas à Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da UFPE, localizada na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife.
O Corpo de Bombeiros foi acionado após o início das chamas e mobilizou equipes para conter o avanço do fogo. A presença de produtos e materiais utilizados em atividades laboratoriais contribuiu para a rápida propagação do incêndio.
Em nota oficial, a UFPE confirmou a gravidade dos prejuízos.
“O Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado e passou a atuar no local, mas, em função do tipo de produtos armazenados, o fogo se alastrou rapidamente e provocou grandes danos no prédio.”
Entre as atividades comprometidas estavam pesquisas científicas relacionadas a medicamentos, informática e genética. O edifício também abrigava projetos nas áreas de câncer, obesidade, Covid-19, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e autismo, conforme informações divulgadas pelo Jornal do Commercio.
Parte dos materiais utilizados nesses trabalhos, incluindo equipamentos laboratoriais, amostras e registros acadêmicos, pode ter sido perdida. Os danos atingem projetos desenvolvidos por estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado.
O reitor Alfredo Gomes acompanhou o trabalho dos bombeiros e lamentou os impactos do incêndio sobre as atividades acadêmicas. Em avaliações preliminares divulgadas à imprensa, os prejuízos relacionados aos equipamentos e à infraestrutura científica foram estimados em aproximadamente R$ 100 milhões. O valor ainda depende de levantamento técnico.
Ameaças levantam pedidos de investigação
A divulgação das ameaças anteriores ao incêndio levou Jones Manoel a defender a participação de órgãos federais na apuração das circunstâncias do episódio.
O parlamentar eleito anunciou que buscaria providências junto à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para esclarecer os relatos e verificar se existe alguma relação entre as mensagens e a ocorrência.
As suspeitas ganharam repercussão diante da mobilização política realizada por estudantes da UFPE na véspera do incêndio. Entretanto, a proximidade temporal entre os acontecimentos não comprova que haja conexão entre eles.
A investigação sobre a origem do fogo deverá determinar se houve falha elétrica, acidente envolvendo materiais armazenados ou eventual ação criminosa. Nenhuma dessas hipóteses havia sido confirmada oficialmente.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se manifestou sobre a ocorrência e determinou que a Procuradoria-Geral Federal designasse uma equipe para acompanhar as apurações e avaliar eventuais medidas jurídicas.
“Expresso minha total solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE, minha alma mater, e espero que o ocorrido seja objeto de uma investigação rigorosa”, afirmou Messias nas redes sociais.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, lamentou os prejuízos e colocou o Ministério da Educação à disposição da universidade para auxiliar nas medidas necessárias após o incêndio.
Mesmo com os prejuízos registrados, a administração da universidade decidiu manter o funcionamento das demais instalações do Campus Recife nesta quinta-feira (8).
A Expo UFPE 2026, evento programado para ocorrer ao longo do dia, também foi mantida. Segundo a instituição, o edifício atingido fica relativamente afastado da área central do campus, onde as atividades da exposição estão concentradas.
Em vídeo divulgado no Instagram, o reitor Alfredo Gomes confirmou a continuidade da programação.
“A Universidade Federal de Pernambuco mantém suas atividades normalmente. A Expo UFPE 2026 iniciará às 8 horas da manhã e se estenderá durante todo o dia”, declarou.
As instalações afetadas permanecerão isoladas enquanto equipes técnicas avaliam a segurança do imóvel e a extensão dos danos. A universidade também deverá examinar as consequências do incêndio para os projetos de pesquisa que dependiam dos laboratórios destruídos.
Em comunicado, a UFPE manifestou solidariedade aos pesquisadores, professores e estudantes prejudicados pela ocorrência. A instituição ainda não informou quando os espaços poderão voltar a ser utilizados ou quais medidas serão adotadas para recuperar as atividades científicas interrompidas.
As causas do incêndio seguem sem esclarecimento, enquanto os relatos de ameaças políticas anteriores ao episódio motivam pedidos de investigação pelas autoridades competentes.
Fonte: Brasil 247

