O Sinpro Campinas e Região manifesta sua solidariedade aos professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Paulo Freire, em Americana, alvo de questionamentos apresentados pelo vereador Jean Mizzoni (Agir), e repudia a iniciativa do parlamentar de lançar suspeitas sobre a atuação dos docentes.
Na última terça-feira (13), o vereador protocolou um requerimento na Câmara Municipal de Americana solicitando esclarecimentos à Secretaria Municipal de Educação sobre supostas práticas de direcionamento político-partidário na escola. Segundo ele, pais de alunos teriam relatado que professores estariam incentivando estudantes a defender a permanência do PT no governo federal, além de associar a vitória de um candidato da direita à possível perda de direitos. É importante ressaltar que não há, no próprio documento, confirmação de que as condutas alegadas tenham ocorrido.
Nenhuma escola pode ser transformada em palco de perseguição política a professores. A educação pressupõe o contato com diferentes ideias, o desenvolvimento do pensamento crítico e a formação de cidadãos capazes de compreender a realidade e participar da vida democrática. Discutir política, direitos sociais, história e os rumos do país faz parte desse processo. Ensinar não é doutrinar: é oferecer subsídios para estimular o debate e contribuir para a autonomia intelectual dos estudantes. Além disso, a liberdade de cátedra, assegurada pelos princípios da Constituição Federal, é fundamental para que educadoras e educadores exerçam sua profissão sem censura ou ameaças motivadas por divergências ideológicas.
O episódio de Americana, contudo, não pode ser visto de forma isolada. Ele se insere em um cenário preocupante de ataques, intimidações e tentativas de vigilância sobre o trabalho docente, impulsionados por setores da extrema direita que procuram restringir o debate nas escolas. Esse tipo de prática remete a métodos de perseguição característicos de regimes autoritários, nos quais educadores são constrangidos por estimular a reflexão crítica.
Alertamos, portanto, para os riscos de iniciativas que, sob o pretexto de defender a neutralidade, acabam restringindo a liberdade de ensinar e aprender.
Defender os professores é defender a educação e a democracia!
Campinas, 14 de outubro de 2026
Diretoria do Sinpro Campinas e Região

