A manobra desmesurada do senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL), que atropelou ordens judiciais, fugiu do país e divulgou um manifesto golpista, precipitou o seu completo isolamento político e escancarou a veia autoritária e antidemocrática do bolsonarismo.

A tentativa frustrada de contestar o resultado soberano do pleito e desrespeitar frontalmente o Poder Judiciário resultou em firme repúdio das forças democráticas e na debandada de sua própria base aliada.

Desacato à Justiça e fuga articulada

As decisões tomadas por Flávio Bolsonaro escancaram o total desprezo pelas instituições republicanas e pelo Estado Democrático de Direito. Sabendo da iminência de medidas cautelares no âmbito dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram esquemas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o senador optou pela fuga covarde e ensaia um confronto aberto com a Justiça.

Em evidente desacato à determinação do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou a retenção de seus passaportes e a proibição de ausentar-se do país, Flávio orquestrou uma fuga clandestina pelas fronteiras terrestres até a Argentina, de onde embarcou em jato privado rumo a Miami.

A utilização ilegal de passaporte diplomático cancelado e a violação deliberada das ordens do STF agravam substancialmente sua situação jurídica, abrindo margem para o pedido de extradição e a decretação de prisão preventiva por descumprimento de medida cautelar e risco à aplicação da lei penal.

O manifesto delirante e o vexame internacional

Ainda sob o impacto da derrota, o senador partiu para a retórica golpista em um documento repleto de ilações sem sustentação. O panfleto delirante de negação da vontade popular tentou incitar instabilidade institucional ao alegar fraudes inexistentes no sistema eletrônico de votação, devidamente auditado e chancelado por observadores nacionais e internacionais.

A cartada de buscando apoio do imperialismo e de governos ultradireitistas redundou em vexame. Donald Trump declarou publicamente que não se envolveria no imbróglio, enquanto a comunidade internacional revalidou prontamente o reconhecimento à soberania popular brasileira, isolando a extrema direita no cenário global.

Debandada dos aliados, repúdio institucional e da sociedade civil

No plano doméstico, o tiro saiu pela culatra e acelerou o desmantelamento de sua rede de apoio, provocando um forte e imediato desembarque dos setores da direita. Lideranças conservadoras, bancadas do agronegócio e quadros do próprio Partido Liberal (PL) reagiram com perplexidade, recusando-se a chancelar a aventura golpista e a afronta direta ao STF, atitude reforçada pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que criticou publicamente o teor da carta. Governadores alinhados ao bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas, apressaram-se em declarar que aconselharam o parlamentar a permanecer no país e a submeter-se ao devido processo legal, buscando distanciamento público para evitar contaminação política.

O repúdio se estendeu aos partidos de centro que haviam apoiado ou mantido proximidade com a candidatura. União Brasil, MDB e PSDB divulgaram notas reafirmando a confiança no sistema eleitoral e a legitimidade do resultado, com Aécio Neves classificando a conduta de Flávio como “incompreensível”.

No agro e no centrão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) pediram respeito às urnas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reiterou que o pleito ocorreu em “absoluta normalidade”. No Senado, Alessandro Vieira chamou a contestação de “ridícula” e Randolfe Rodrigues de “ofensa”. Internacionalmente, a OEA confirmou a integridade dos dados oficiais. Lula e Alckmin qualificaram a fuga, respectivamente, de “vergonhosa” e “ininteligível”. Manifestos assinados por setores da Igreja Católica, bispos, entidades jurídicas e movimentos sociais condenaram a postura antidemocrática do derrotado.

Em tom contundente, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) classificou Flávio como “corrupto, mentiroso e sócio do crime”, enfatizando a covardia do ato de abandonar o país e seus próprios eleitores perante a Justiça. No mesmo sentido, a Executiva Nacional do PCdoB divulgou nota oficial ressaltando a gravidade do episódio e manifestando a “convicção de que a ordem democrática uma vez mais se manterá inabalável diante dessa ação covarde e traidora”.

Fonte: Vermelho

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