A assembleia geral da Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) aprovou, na segunda-feira (25), a adesão à greve que os estudantes realizam há mais de um mês. Os professores pedem reajuste salarial para a categoria e a abertura de negociações da reitoria com os estudantes.

Os docentes estiveram reunidos no auditório Adma Jafet do Instituto de Física (IF) em assembleia que contou com participação por videoconferência de mais de 300 profissionais. A pauta aprovada pede:

reabertura de negociações entre a Reitoria da USP e os estudantes;
reajuste salarial para os docentes de 7,39% (IPCA de 4,39% + 3%);
aumento do valor da bolsa de permanência estudantil (PAPFE);
reorganização do semestre acadêmico;
não punição e não criminalização de estudantes;
apuração das responsabilidades pela desocupação violenta da Reitoria pela Polícia Militar, na madrugada de 10 de maio.

A situação reflete o atual cenário de abandono que estudantes, professores e servidores das universidades estaduais paulistas têm enfrentado sob o governo Tarcísio de Freitas, que emprega uma política de arrocho que limita as condições de ensino e sucateia a infraestrutura universitária. Além da USP, as reivindicações legítimas por melhores condições atingem também a Unicamp e alguns campi da Unesp.

A falta de diálogo e transparência tem feito a comunidade universitária realizar grandes manifestações, principalmente na cidade de São Paulo (SP), contra a atitude do governador e dos reitores.

Nas últimas semanas, a Polícia Militar protagonizou cenas lamentáveis de repressão contra os estudantes mobilizados. Foram utilizadas bombas, gás lacrimogêneo e cassetetes para retirar os estudantes da reitoria da USP. A ação desencadeou grandes manifestações pelas avenidas da cidade em protesto.

Na última quarta-feira (20), cerca de 30 mil pessoas marcharam até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O ato foi marcado por outras pautas como o pedido pelo fim da escala 6×1 em todo o país, assim como por pautas locais que denunciam os desastres ocasionados pela privatização da Sabesp por Tarcísio e a tentativa de colocar o Metrô e a CPTM na mesma direção.

Depois de quatro horas de protestos e um clima de tensão ocasionado pela presença da PM, uma comissão formada por estudantes e advogados foi recebida por gestores da Casa Civil do governo, sem a presença do governador.

Negociações na USP seguem emperradas

Mesmo diante dos apelos e da paralisação das atividades, o reitor da USP, Aluisio Segurado, não tem avançado nas negociações, com respaldo do governo estadual.

Enquanto o reitor oferece apenas R$ 27 de aumento no Papfe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), elevando o valor de R$ 885 mensais para R$ 912, os estudantes exigem que o auxílio chegue ao patamar do salário mínimo paulista, de R$ 1.804.

No que diz respeito aos professores, eles têm apoiado as reivindicações dos alunos e também exigem reajuste salarial nos seus vencimentos na ordem de 7,39%, como colocado anteriormente, porém o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) somente oferece 3,47%.

Assim, nesta terça-feira (26), a Adusp e estudantes realizam uma vigília durante a reunião do Conselho Universitário da USP, em prol das reivindicações dos estudantes e de um reajuste salarial justo.

Fonte: Vermelho

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